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Fonte: Estadão

As mudanças tecnológicas proporcionadas pela internet das coisas — revolução que vai conectar todos os objetos à nossa volta — podem gerar entre US$ 50 bilhões e US$ 200 bilhões por ano, para o Brasil, em 2025. A estimativa é parte do estudo contratado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a realização do Plano Nacional de Internet das Coisas. Feito por um consórcio formado pela consultoria McKinsey, o escritório de advocacia Pereira Neto Advogados e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD), o estudo teve custo de R$ 17,5 milhões e foi revelado na manhã desta terça-feira, 3, na Futurecom, maior feira de telecomunicações da América Latina que acontece em Sâo Paulo nesta semana.

A expectativa era de que o Plano Nacional de Internet das Coisas também fosse anunciado nesta terça-feira, mas isso não se concretizou — de acordo com Maximiliano Martinhão, secretário de Políticas de Informática do MCTIC, o estudo agora será apreciado pelo governo, que vai definir metas de curto, médio e longo prazos. Tais metas estarão presentes no Plano Nacional de Internet das Coisas, que deve ser apresentado até o final do ano, “provavelmente em forma de decreto”, disse o secretário.

“Queremos apoiar nossos produtores para que eles sejam mais produtivos”, disse Carlos da Costa, diretor de crédito, TI, planejamento e pesquisa do BNDES, durante a apresentação. Realizado ao longo de 2017, o estudo destacou quatro áreas principais em que o Brasil pode se destacar em internet das coisas — saúde, agronegócio, cidades inteligentes e indústria — e mais de 70 ações diferentes, entre iniciativas de fomento à inovação e mudanças regulatórias, para destravar o desenvolvimento do setor. Para Carlos da Costa, as ações mostradas no estudo podem ajudar o Brasil a se tornar líder em diversos segmentos. “Queremos ser exportadores de soluções de internet das coisas para o setor rural, especialmente na agricultura tropical”, afirmou o executivo do BNDES.

Lei de Dados. Entre as ações que devem estar destacadas no curto prazo no Plano Nacional de Internet das Coisas está a aprovação da Lei de Proteção de Dados Pessoais, projeto que tramita no Congresso desde abril de 2016, mas é discutido pela sociedade civil desde 2010. “A Lei de Dados é básica para que a gente consiga gerar esse valor com o Plano Nacional de Internet das Coisas”, disse Martinhão.

Em entrevista após a apresentação do estudo, o secretário declarou que pretende discutir ajustes na atual proposta com os relatores. Uma das mudanças está na noção de “consentimento” dos usuários, presente também hoje no Marco Civil da Internet. “Para fazer uma atualização no celular, hoje, o usuário precisa consentir com isso. Fazer o mesmo com qualquer objeto da internet das coisas pode torná-la inviável. Precisamos repensar isso”, declarou Martinhão.

Financiamento. Segundo Costa, do BNDES, o banco pretende engajar o ecossistema de inovação brasileiro, trazendo tanto financiamento para empresas e startups, como formando uma rede de contatos e experiências de internet das coisas. “Queremos ser uma instituição de referência no apoio a cidades inteligentes, por exemplo”, declarou Costa.

Questionado a respeito da disponibilização dos recursos, o executivo disse que ainda não há metas definidas — segundo ele, o BNDES depende da demanda dos empresários para definir investimentos.

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